Taí uma resposta difícil! A falta de critérios objetivos para avaliar o número de participantes em manifestações de rua, principalmente antes da década de 1960, torna bem arriscado fazer algum ranking sobre o assunto. Outro problema é que os números, quando existem, costumam ser manipulados por simpatizantes ou adversários de tais manifestações, uns tentando aumentá-los, outros diminuí-los. "É bem difícil estabelecer uma hierarquia de movimentos populares no Brasil, sem situá-los em suas conjunturas e compreendê-los em seus processos históricos", diz o historiador Alexandre Hecker, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Assis (SP). Mesmo com todos esses poréns, é possível listar pelo menos cinco grandes manifestações populares que marcaram a história do Brasil. Uma delas, aliás, está completando 20 anos neste mês. Confira abaixo.
A voz do povo
Campanha por eleições diretas levou milhões às ruas há exatos 20 anos
Revolta da Vacina (1904)
Para combater epidemias no Rio de Janeiro, o sanitarista Osvaldo Cruz conseguiu que a vacinação contra a varíola virasse obrigatória. Em novembro de 1904, a população se revoltou contra a medida e milhares de pessoas protestaram nas ruas. Não há estimativas precisas do número de manifestantes
Suicídio de Getúlio Vargas (1954)
Em meio a uma crise política, o presidente Getúlio Vargas se suicidou em agosto de 1954. Sua "carta-testamento", com críticas aos seus opositores, agravou o clima de comoção e revolta. Manifestações populares ocorreram em várias cidades nos dias seguintes. Algumas estimativas apontavam para até 3 milhões de pessoas nas ruas do país
Comícios das Diretas Já (1984)
Entre janeiro e abril de 1984, grandes comícios foram realizados no país pedindo a volta das eleições diretas para presidente, abolidas desde 1964. Os dois maiores foram em abril: na Candelária, no Rio, cerca de 1 milhão de pessoas se reuniram no dia 10; no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, o número estimado chegou a 1,5 milhão, no dia 16
Impeachment de Collor (1992)
Denúncias de corrupção que atingiam o presidente Fernando Collor pipocaram na imprensa em 1992. Passeatas ocorreram em vários estados para exigir o impeachment de Collor, ou seja, seu afastamento da presidência. Uma das principais foi em São Paulo, no dia 18 de setembro, reunindo cerca de 750 mil pessoas
Marcha da Família e Marcha da Vitória (1964)
Em 19 de março de 1964, reuniram-se em São Paulo quase 500 mil pessoas na "Marcha da Família", um protesto contra o presidente João Goulart. Poucos dias depois ele foi deposto e, em 2 de abril, cerca de 1 milhão de pessoas participaram, no Rio, da "Marcha da Vitória" para saudar a queda de Goulart.
Elas fazem parte dos chamados "armamentos de distração", usados quando se queramedrontar ou incapacitar um inimigo sem matá-lo. A bomba de efeito moralpropriamente dita é parecida com a granada militar comum.
(Foto: Getty Images)
Quando acionada, ela inflama uma mistura química que explode com grande estrondo, normalmente espalhando uma nuvem de talco. Há também a bomba de fumaça, usada para obscurecer a visão; a flashbang, que produz um clarão que desorienta a vítima temporariamente; e a de gás lacrimogêneo, que irrita as mucosas de olhos, nariz, boca e pulmões, fazendo a pessoa espirrar, chorar e tossir fortemente. Mas, enquanto as granadas militares soltam estilhaços de metal mortíferos, as de efeito moral são feitas com um plástico que se desintegra - assim, não ferem ninguém, pelo menos em teoria.
Na prática, as explosões são fortes o suficiente para provocar contusões graves em quem estiver por perto. "Em altas concentrações, até o gás lacrimogêneo pode ser fatal. Por isso, os profissionais que empregam essas bombas têm que ser muito bemtreinados", diz o delegado Maurício Lemos Freire, especialista no assunto, da Academia de Polícia Coriolano Cobra, em São Paulo.
Pensar em um sistema de transporte eficiente, relativamente barato e capaz de não interferir no trânsito de outros meios de locomoção é um dos temas mais recorrentes em discussões que versam sobre mobilidade. Hoje, inclusive, pensar em soluções alternativas ao problema do crescimento acelerado e descontrolado das grandes cidades é um verdadeiro desafio.
E devemos considerar: dispositivos até poucos anos vistos como “exageros da ciência” cabem atualmente em nossos bolsos; saídas inteligentes que deveriam usar os avanços da tecnologia para remediar o caos nos centros urbanos são ainda “o sétimo selo” quando se toca, de alguma forma, no campo das políticas e estratégias de transporte.
Mas e se uma possível solução já estiver em pleno funcionamento? Ainda mais: e se esse fabuloso transportador de passageiros tiver mais de 100 anos? Pois saiba que Henry Palmer, um engenheiro inglês, idealizou em 1824 o que pouco mais tarde se chamaria de “monotrilho” ou “trem suspenso”.
O protótipo
Apesar de ter sido concebido por um inglês, um engenheiro alemão chamado Carl Eugen Langen foi o construtor do primeiro vagão motorizado suspenso do mundo. O protótipo pairou sobre um conglomerado de vilarejos alemães pela primeira vez em 1897 – mais tarde (em 1929), essa região proclamou-se como a conhecida cidade de Wuppertal, localizada na região de Renânia do Norte-Verstfália, às margens do rio Wupper (sul da região de Ruhr).
Notado o sucesso do trem suspenso, a construção de um modelo capaz de transportar pessoas foi finalmente iniciada: de 1898 a 1901, o mestre de obras Wilhem Feldmann conduziu as operações que deram forma ao monotrilho de nome “Wuppertaler Schwebebahn” (que significa, em tradução livre do alemão, “trem suspenso de Wuppertal”).
Curiosidade: em outubro de 1900, um ano antes da conclusão das obras, o imperador alemão William II chegou a dar uma volta de monotrilho durante os ensaios finais que consolidariam o trem como a principal atração da futura cidade de Wuppertal.
O monotrilho hoje
Atualmente, o monotrilho é capaz de transportar 75 mil passageiros por dia (praticamente 25 milhões deles a cada ano). O trem suspenso percorre um trajeto de 13,3 km a uma velocidade média de 60 km/h, fazendo 20 paradas em duas dezenas de estações. Cada vagão mede 24 metros de comprimento e pode carregar até 130 pessoas.
De toda viagem, cerca de 10 km são percorridos sobre o rio Wupper. Isso mesmo, quase todo o trajeto do trem suspenso de Wuppertal proporciona aos passageiros uma visão privilegiada. Quando pairam sobre as águas agarrados ao seu trilho, os vagões ficam a uma altura de 12 metros; em seus 3,3 km restantes, o monotrilho “alça voo” à distância de 8 metros do solo.
Praticamente um encouraçado
Ao contrário do que se pode naturalmente pensar, o monotrilho não passou por grandes períodos de reforma ou interdições nesses últimos 112 anos – mesmo enfrentando duas guerras mundiais, diga-se de passagem.
Durante a Grande Guerra (1914 – 1918), a Alemanha exportou muito contingente masculino, deixando praticamente todos os campos de trabalho nas mãos das mulheres – que não possuíam, na época, habilidades necessariamente adequadas à manutenção do trem suspenso.
Fotos de 1949 tiradas por Charles E. Steinheimer.
Além disso, parte do território em que o monotrilho passava chegou a pertencer, durante o período pós-guerra, aos domínios franceses: todos os passageiros precisavam passar pela alfândega se desejassem seguir viagem – enfrentando, como já é de se esperar, situações políticas bastante tênues.
Estação refeita após a guerra (Charles E. Steinheimer).
A Segunda Grande Guerra (1939 – 1945) quase não foi capaz de dobrar os trilhos do trem suspenso de Wuppertal. Apesar de ter sido bombardeada por aviões e ter sido então danificada, a estrutura do tal meio de transporte alemão resistiu bravamente durante o legado de Hitler. Apenas uma rápida interdição fora feita no final de 1945; em 1946, o monotrilho já operava a todo vapor.
Um elefante circense no vagão?
Em 1950, um circo viajante teve a brilhante ideia de anunciar seus espetáculos usando como placa ambulante um dos vagões do trem suspenso. E como deixar a publicidade ainda mais original? Colocando um elefante de circo dentro do monotrilho, é claro.
E foi precisamente isso o que se fez. Um mamífero gigante de quatro patas pesando toneladas começou então a “desfilar”, preso dentro de um dos vagões, pelo trajeto do trem. Sim, você já pode prever o resultado dessa estratégia publicitária fantástica: o animal começou a ficar agitado devido aos ruídos pouco agradáveis do atrito entre as peças de ferro e pulou do vagão.
Por sorte, o elefante passava por um dos 10 km em que o monotrilho paira sobre o rio Wupper. Depois de esfacelar a porta do trem, o simpático e assustado mascote circense saiu ileso do acidente, uma vez que caiu como... Bom, como um elefante sobre água. Alguns jornalistas que cobriam o evento acabaram se ferindo, mas nenhum deles morreu.
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Assita ao vídeo abaixo e faça um tour por algumas das estações deste fantástico trem que, além de ter resistido a duas Guerras Mundiais, é hoje fonte de inspiração para vários projetos que levam como conceito a ideia originária de Henry Palmer, o projetista inglês do monotrilho.
Desde 1901, ano de sua inauguração, o monotrilho tem se destacado como modelo ótimo de meio de transporte. Pouco espaço em terra é utilizado para instalação das colunas que o sustentam; não há também interferência em outras alternativas de mobilidade – uma vez que os vagões percorrem trilhos que ficam suspensos sobre as ruas. Esse modelo de transporte é hoje adotado por várias cidades mundo afora (Kuala Lumpur, Sydney, Osaka e Tóquio são alguns dos exemplos).