Todo dia
presenciamos fenômenos curiosos que possuem uma explicação científica
por trás.
Muitas vezes, estamos tão absortos em nossas atividades que nem
percebemos a ciência por trás delas. Quantos já pensaram, por exemplo,
no que é mantém água e óleo unidos em uma maionese? Ou, então, por que
cargas d’água aquela vela de aniversário não para de reacender após ser
assoprada?
Mas agora chegou a hora de acabar com essas dúvidas e, de quebra, absorver um pouco mais de conhecimento geral.
O segredo de uma boa maionese
Apesar de homogênea, maionese é feita com água e óleo
Todo mundo sabe que água e óleo não se misturam. Por isso é comum, em
algumas cidades, chamarem uma pessoa muito reservada ou isolada de
“azeitão”. Porém, existe um molho espesso e cremoso capaz de manter
essas duas substâncias unidas: a maionese.
A receita é popular e pode ser encontrada facilmente no Tudo Gostoso.
Basta uma rápida olhada nos ingredientes para estranhar o fato de que o
vinagre (ou suco de limão) não se separa do óleo. Além disso, existe
uma porcentagem muito alta de água no ovo e, se ele também faz parte da
receita, como pode formar uma mistura homogênea junto com o óleo?
Como explicado em uma série especial
publicada pela revista Scientific American, o segredo da maionese está
na gema do ovo e se chama lecitina, que serve como emulsificante da
mistura. A molécula da lecitina possui duas extremidades: uma
hidrofóbica, que repele a água, e outra hidrofílica, que a atrai. Dessa
forma, a lecitina serve como uma espécie de ponte entre as minúsculas
gotículas de água e de óleo, mantendo-as unidas e formando, assim, uma
mistura homogênea.
A misteriosa vela mágica
Vela reacende sozinha por causa de metal presente no pavio
Ela costuma roubar a cena na hora de cantar o “Parabéns”: depois de
assoprada pelo aniversariante, a vela mágica volta a acender sozinha,
exigindo que seja apagada novamente. A ação se repete por diversas vezes
até que alguém resolva, de uma vez por todas, dar um fim para a
brincadeira.
O funcionamento dessas velas pode servir como um ótimo pretexto para uma aula de química. Como publicado na edição 175
da revista “Ciência Hoje das Crianças”, são necessários três
componentes para que um objeto queime: oxigênio, combustível e energia.
No caso de uma queimada, por exemplo, o combustível é a árvore ou o mato
que pega fogo, o oxigênio está presente no ar e a energia é o que causa
a queimada em si, como a chama de um cigarro jogado por alguém na beira
de uma rodovia.
O mesmo modelo pode ser aplicado à vela comum. Ao pegar fogo, o pavio
de algodão faz com que a cera da vela derreta, gerando o vapor que é
usado nesse sistema como combustível. Ou seja, o que mantém a vela acesa
não é a cera em estado sólido ou líquido, mas gasoso. Assim, o pavio
absorve o vapor da cera e não deixa a vela se apagar até que o
combustível acabe ou alguém assopre a chama.
No caso da vela mágica, o pavio também contém magnésio, um metal que
entra em combustão a temperaturas muito baixas. Portanto, mesmo depois
de ter assoprado a vela, o pavio ainda está um pouco quente, guardando
energia suficiente para que o magnésio se inflame. Com isso, o vapor de
cera que restou no pavio volta a se acender, proporcionando risadas e
testando o fôlego do aniversariante.
Por que o queijo suíço tem buracos?
Na vida real, alguns queijos também são esburacados
Quem costumava assistir a “Tom & Jerry” quando criança pode ter
ficado com a impressão de que o camundongo era o responsável pelos
inúmeros furos das fatias de queijo que eventualmente apareciam no
desenho. Entretanto, esses furos são causados durante o processo de
fabricação desse alimento.
De acordo com o Huffington Post,
os buracos são causados por bactérias usadas no processo de
envelhecimento do queijo suíço, mais formalmente conhecido como
Emmentaler. Para produzir esse tipo de queijo, são misturadas culturas
de S. thermophilus, Lactobacillus e P. Shermani ao leite da vaca. Essas
bactérias produzem a coalhada, que é prensada e embebida em salmoura
dentro das formas de queijo. Depois, esses queijos são armazenados a uma
temperatura de 22 a 26 ºC, dando início à fase do envelhecimento. É
durante essa etapa que a mágica acontece.
Foto da bactéria P. shermani em um queijo suíço
Quando a bactéria P. shermani consome ácido lático, ela libera
dióxido de carbono. O gás acaba se acumulando em forma de bolhas,
gerando pequenos bolsões de ar dentro da peça, que resultam mais tarde
nos famosos buracos do queijo suíço. Os fabricantes chamam esses buracos
de “olhos” e, por incrível que pareça, são capazes de controlar o
tamanho das “bolhas” ao alterar a acidez, temperatura ou tempo de
envelhecimento do queijo.
Esse controle é muito importante. De acordo com o site
Mental Floss,
a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA definiu que, dentro
dos EUA, o queijo suíço deve ter buracos que vão de 9,5 a 20,6 mm. A
razão? As máquinas fatiadoras de queijo mais atuais estavam tendo
problemas para cortar peças com buracos maiores do que isso.
Como são produzidas as listras vermelhas do creme dental?
Como as listras coloridas são colocadas na pasta de dente?
Pela manhã, no banheiro, a pessoa sonolenta pressiona o tubo de pasta
de dente sobre as cerdas da escova e, quase que instantaneamente, o
creme branco com pequenas listras vermelhas começa a sair ao mesmo tempo
que um bocejo se form... Espere! Como essas listras vermelhas foram
colocadas tão perfeitamente dentro do tubo?
Por incrível que pareça, o creme dental com listras é uma ideia
patenteada nos Estados Unidos. O autor do “invento” é Leonard Lawrence
Marraffino, que
registrou a inovação estética em 1955 e, logo depois, vendeu-a para a Unilever.
Detalhes interno do tubo da pasta de dente listrada
O funcionamento é muito simples. A parte principal da pasta de dente,
que normalmente é branca, está posicionada na parte final do tubo e
ocupa a maior parte dele. Porém, próximo ao bico está localizado o
material vermelho, responsável pelas listras. O que cria aquele efeito
visual bacana é o fato de que os dois componentes do creme dental saem
por cavidades diferentes: o branco é expelido por um canal central,
enquanto que o vermelho sai por quatro cavidades menores, posicionadas
na lateral desse canal.
Assim, cada vez que alguém aperta o tubo de pasta de dente, a pressão
dos dedos empurra a porção branca que, por sua vez, empurra a parte
vermelha. Algumas variações desse modelo também foram patenteadas,
permitindo, por exemplo, que o creme saia do tubo com listras de duas
cores. Engenhoso, não?